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SIGNIFICADO
DOS DANS NO KARATÊ - OPINIÃO
A maioria das bancas examinadoras de
faixa dentro do Shotokan segue os critérios que foram definidos pela JKA no
aspecto técnico no seu regulamento específico neste sentido.
Ocorre porém que são poucos os
candidatos à graduação de faixa preta que possuem acesso a esta informação ou
mesmo a qualquer reflexão como a que fez o Mestre Nishiama no seu texto sobre
o significado da Faixa preta: perguntamos então: porque?
Será por falta de idéias específicas
neste sentido? Será por falta de segurança ao fazer estas colocações? Será por
medo de parecer diferente? Pois entendo que a única coisa que devemos temer é
não fazer coisa alguma, penso que antes fazer algo e errar que não fazer
nada, por isto, iremos colocar idéias neste sentido, sem imaginar estarmos
cobertos de verdade ou sem medo de estarmos equivocados. No silêncio dos
experts reconhecidos, quem sabe alguém que tente não consiga trazer alguma
luz e motivar os mais qualificados a fazer algo mais que silêncio a respeito
da questão?
Em primeiro lugar, deve ficar claro
que existem vários tipos de faixa preta:
- existe o
faixa preta que é karateka mesmo e treina regularmente e existe a
personalidade que por colaborar na divulgação do karate-do tem o
reconhecimento de seu serviço com um certificado de Faixa preta
Honorário (chamado em Japonês de Mey-dan).
- existe o
faixa preta que foi é karateka e treina regularmente mas não possui
índice técnico para ser aprovado em exame de faixas oficial, por ser
muito antigo, e para evitar constrangimentos, pode receber uma faixa
preta em reconhecimento ao empenho demonstrado é o Suisen-dan (grau por
antiguidade), ele não pode evocar as prerrogativas técnicas de seu grau,
mas se tiver comportamento moral adequado dentro da sociedade pode ser
um exemplo para os menos graduados.
- por
último, o Jitsu-kyoku-dan, que foi o que se submeteu a banca examinadora
e foi aprovado, possuindo nível técnico e treinamento que justifica sua
graduação.
Quando falarmos faixa preta
neste texto, estaremos falando os do terceiro tipo.
A qualificação
de faixa preta é dada pelo Mestre para o atleta que alcançou um domínio tal
da arte que permite que ele possa avançar mais no treinamento. Faixa preta de
Karatê não é sinônimo de professor de Karatê, mas sim de pessoa que fez os
sacrifícios necessários do seu ego para conseguir um relativo controle de seu
corpo e mente.
Quando se
tentar passar isto para palavras e se definir critérios, teremos um problema:
como definir avanço moral? Qual prova mede o quanto alguém melhorou como
pessoa? Um ser humano terá o condão de avaliar numa vista de olhos um
elemento tão subjetivo como aprimoramento espiritual?
No início da
divulgação do karatê a faixa preta era objeto de desejo (muito mais que hoje)
e os sobreviventes chegavam à faixa preta: foi a fase na qual os professores
mostravam o karatê força para se impor às artes marciais que existiam e
"dominavam o mercado". Foi uma fase.
Depois, veio a fase da ampla
divulgação onde os critérios rígidos de qualificação dentro dos dans foram
questionados pelos karatekas brasileiros e começou a surgir um movimento reivindicando
qualificações, neste sentido para os brasileiros, que foi concedida, mas
ficava no ar que o DAN nacional (o reconhecimento de qualificação) era
inferior ao DAN japonês, pois muitos eram terceiro dan aqui e primeiro no
Japão, atitude com nítido impacto psicológico com forte conotação
colonizadora: somos supremos vocês são nada.
Mas o ocidental percebeu esta
situação rápido, os critérios não ditos claramente foram motivo de cisões
mundiais: "Vocês podem até ser mais qualificados, mas sua seleção perde
de nós nas nossas regras" e o karatê viu uma revolução com uma ênfase
exagerada às competições que eram um campo onde se poderia por à prova o ego
ferido do ocidental contra o que ele entendia arrogância do oriental. O
resultado foi a multiplicidade de organizações internacionais.
Dan é qualificação, reconhecimento de
qualificação e é eminentemente escolar: ou seja, está associada ao grupo que
aquele professor trabalha, sem nenhum meio de se fazer comparações, exatamente
igual aos mestrados no Brasil (e quero crer no exterior) Mestrados de uma e
outra escola são mestrados, mas há mestrados e mestrados e cada um possui
suas vantagens (e desvantagens).
Em nossa opinião o que deveriam ser
requisitos para reconhecimento de um faixa preta Chodan:
- tempo de
treinamento maior que 3 anos, pois sem este tempo o amadurecimento
técnico e pessoal estarão deficitários;
- Currículo
pertinente: conclusão de primeiro grau, participação em cursos de
aperfeiçoamento, participação em campeonatos, comprovação de realização
de atividades pela divulgação do karatê;
- apresentação
de trabalho sobre tema ligado à prática do karate-do; e
- Nível
técnico nos golpes básicos do Karate.
Entendemos que o treinamento do Faixa
preta Chodan deve ser junto com os Dangai, sendo que ele terá de diferente a
visão diferente mais amadurecida, e, portanto poderá aproveitar realmente os
treinamentos, por estar livre das dificuldades técnicas que criam obstáculos
a esta facilidade.
Se o faixa marrom não tem boa base, é
mais honesto pedir que treine mais corretamente ao invés de dar a ele uma
faixa preta que ele simplesmente não vai "segurar", se ele não
quiser treinar mais, o professor perde um aluno, mas ganha respeito. Muitos
professores reclamam muito que as pessoas não procuram mais as academias como
procuravam antes, e um dos motivos estão neste item, ao invés de se
qualificar, alguns professores ficam demonstrando comiseração (dó) e
graduando quem não tem condições.
Deveriam ser exigências para Faixa
preta segundo DAN:
- tempo de
treinamento maior que 5 anos, 2 anos como primeiro DAN;
- Currículo
pertinente: conclusão de segundo grau, participação em cursos de
aperfeiçoamento, participação em campeonatos, comprovação de realização
de atividades pela divulgação do karatê;
- apresentação
de trabalho sobre tema ligado à prática do karate-do;
- Nível
técnico nos golpes básicos do Karatê. O segundo dan seria também um DAN
técnico, ou seja, ainda á técnicas a se demonstrar.
Para a faixa preta terceiro Dan
entendo que podem promover os professores que tenham escolas de karatê
funcionando regularmente, se possível com terceiro Grau completo ou
incompleto, com Três anos de treinamento como segundo Dan, e pelo menos Dois
faixas pretas formados devendo os referidos professores estar treinando
regularmente e demonstrar técnica adequada nos Kata da arte.
Importante que, neste momento, não
entendo justo qualificar faixas pretas que sejam apenas atletas, os atletas
têm os resultados para se motivar a graduação de Dans, no nosso entender deve
ser restrita aos trabalhos de divulgação do karatê.
Para faixa preta quarto dan,
considera-se que podem promover os professores terceiro dan com mais de Quatro
faixas pretas formados, estando estes pelo menos Dois com segundo dan pelo
menos e trabalhando pela divulgação do karatê, dando aulas, sob sua
supervisão e estímulo direto, além de possuir tese escrita sobre tema
associado ao Karatê para análise de banca examinadora, além de possuir Quatro
anos de treinamento comprovado como terceiro dan. Se não possuir outros faixas
pretas trabalhando como professores, deverá fazer atividade de relevante
importância para a divulgação do karatê e crescimento da federação com
reconhecimento por escrito da diretoria da mesma, ou então deverá respeitar
interstício de 6 anos.
Para faixa preta quinto dan,
considera-se que podem promover os faixas pretas quarto dan com mais de 5
escolas sob sua supervisão técnica, com mais de 2 professores terceiro DAN,
com tese escrita sobre tema de interesse para os praticantes de Karatê, e
mais de 6 anos de treinamento comprovado como quinto dan.
Como se observa, entendo que a
graduação de dan se prende a um só critério após o terceiro da: divulgação do
karatê que não é subjetivo e tem repercussão social. Por ser um sistema
diferente onde só a antiguidade é observada, muita gente de idéias
retrógradas são o "supra-sumo" e seguram a divulgação da arte,
permitindo o surgimento de segmentos "rebeldes" que se
auto-proclamam bons demais e Mestres tantos dan e saem fazendo grandes
estragos na imagem da arte.
Não sou a favor de uma "caça às
bruxas" ou de "tomar dans" dos outros mas se a sociedade fosse
informada de critérios assim, muita gente que trabalha sério poderia ter
reconhecimento e a sociedade poderia ver claro quem realmente trabalha sério
dentro do karate educativo.
[texto extraído da Internet]
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