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ASKAPRO - Associação de Karatê Pedro Rocha

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Gingin Funakoshi

SIGNIFICADO DOS DANS NO KARATÊ - OPINIÃO

A maioria das bancas examinadoras de faixa dentro do Shotokan segue os critérios que foram definidos pela JKA no aspecto técnico no seu regulamento específico neste sentido.
Ocorre porém que são poucos os candidatos à graduação de faixa preta que possuem acesso a esta informação ou mesmo a qualquer reflexão como a que fez o Mestre Nishiama no seu texto sobre o significado da Faixa preta: perguntamos então: porque?
Será por falta de idéias específicas neste sentido? Será por falta de segurança ao fazer estas colocações? Será por medo de parecer diferente? Pois entendo que a única coisa que devemos temer é não fazer coisa alguma, penso que antes fazer algo e errar que não fazer nada, por isto, iremos colocar idéias neste sentido, sem imaginar estarmos cobertos de verdade ou sem medo de estarmos equivocados. No silêncio dos experts reconhecidos, quem sabe alguém que tente não consiga trazer alguma luz e motivar os mais qualificados a fazer algo mais que silêncio a respeito da questão?
Em primeiro lugar, deve ficar claro que existem vários tipos de faixa preta:
  • existe o faixa preta que é karateka mesmo e treina regularmente e existe a personalidade que por colaborar na divulgação do karate-do tem o reconhecimento de seu serviço com um certificado de Faixa preta Honorário (chamado em Japonês de Mey-dan).
  • existe o faixa preta que foi é karateka e treina regularmente mas não possui índice técnico para ser aprovado em exame de faixas oficial, por ser muito antigo, e para evitar constrangimentos, pode receber uma faixa preta em reconhecimento ao empenho demonstrado é o Suisen-dan (grau por antiguidade), ele não pode evocar as prerrogativas técnicas de seu grau, mas se tiver comportamento moral adequado dentro da sociedade pode ser um exemplo para os menos graduados.
  • por último, o Jitsu-kyoku-dan, que foi o que se submeteu a banca examinadora e foi aprovado, possuindo nível técnico e treinamento que justifica sua graduação.
Quando falarmos faixa preta neste texto, estaremos falando os do terceiro tipo.

A qualificação de faixa preta é dada pelo Mestre para o atleta que alcançou um domínio tal da arte que permite que ele possa avançar mais no treinamento. Faixa preta de Karatê não é sinônimo de professor de Karatê, mas sim de pessoa que fez os sacrifícios necessários do seu ego para conseguir um relativo controle de seu corpo e mente.
Quando se tentar passar isto para palavras e se definir critérios, teremos um problema: como definir avanço moral? Qual prova mede o quanto alguém melhorou como pessoa? Um ser humano terá o condão de avaliar numa vista de olhos um elemento tão subjetivo como aprimoramento espiritual?
No início da divulgação do karatê a faixa preta era objeto de desejo (muito mais que hoje) e os sobreviventes chegavam à faixa preta: foi a fase na qual os professores mostravam o karatê força para se impor às artes marciais que existiam e "dominavam o mercado". Foi uma fase.
Depois, veio a fase da ampla divulgação onde os critérios rígidos de qualificação dentro dos dans foram questionados pelos karatekas brasileiros e começou a surgir um movimento reivindicando qualificações, neste sentido para os brasileiros, que foi concedida, mas ficava no ar que o DAN nacional (o reconhecimento de qualificação) era inferior ao DAN japonês, pois muitos eram terceiro dan aqui e primeiro no Japão, atitude com nítido impacto psicológico com forte conotação colonizadora: somos supremos vocês são nada.
Mas o ocidental percebeu esta situação rápido, os critérios não ditos claramente foram motivo de cisões mundiais: "Vocês podem até ser mais qualificados, mas sua seleção perde de nós nas nossas regras" e o karatê viu uma revolução com uma ênfase exagerada às competições que eram um campo onde se poderia por à prova o ego ferido do ocidental contra o que ele entendia arrogância do oriental. O resultado foi a multiplicidade de organizações internacionais.
Dan é qualificação, reconhecimento de qualificação e é eminentemente escolar: ou seja, está associada ao grupo que aquele professor trabalha, sem nenhum meio de se fazer comparações, exatamente igual aos mestrados no Brasil (e quero crer no exterior) Mestrados de uma e outra escola são mestrados, mas há mestrados e mestrados e cada um possui suas vantagens (e desvantagens).
Em nossa opinião o que deveriam ser requisitos para reconhecimento de um faixa preta Chodan:
  • tempo de treinamento maior que 3 anos, pois sem este tempo o amadurecimento técnico e pessoal estarão deficitários;
  • Currículo pertinente: conclusão de primeiro grau, participação em cursos de aperfeiçoamento, participação em campeonatos, comprovação de realização de atividades pela divulgação do karatê;
  • apresentação de trabalho sobre tema ligado à prática do karate-do; e
  • Nível técnico nos golpes básicos do Karate.
Entendemos que o treinamento do Faixa preta Chodan deve ser junto com os Dangai, sendo que ele terá de diferente a visão diferente mais amadurecida, e, portanto poderá aproveitar realmente os treinamentos, por estar livre das dificuldades técnicas que criam obstáculos a esta facilidade.
Se o faixa marrom não tem boa base, é mais honesto pedir que treine mais corretamente ao invés de dar a ele uma faixa preta que ele simplesmente não vai "segurar", se ele não quiser treinar mais, o professor perde um aluno, mas ganha respeito. Muitos professores reclamam muito que as pessoas não procuram mais as academias como procuravam antes, e um dos motivos estão neste item, ao invés de se qualificar, alguns professores ficam demonstrando comiseração (dó) e graduando quem não tem condições.
Deveriam ser exigências para Faixa preta segundo DAN:
  • tempo de treinamento maior que 5 anos, 2 anos como primeiro DAN;
  • Currículo pertinente: conclusão de segundo grau, participação em cursos de aperfeiçoamento, participação em campeonatos, comprovação de realização de atividades pela divulgação do karatê;
  • apresentação de trabalho sobre tema ligado à prática do karate-do;
  • Nível técnico nos golpes básicos do Karatê. O segundo dan seria também um DAN técnico, ou seja, ainda á técnicas a se demonstrar.
Para a faixa preta terceiro Dan entendo que podem promover os professores que tenham escolas de karatê funcionando regularmente, se possível com terceiro Grau completo ou incompleto, com Três anos de treinamento como segundo Dan, e pelo menos Dois faixas pretas formados devendo os referidos professores estar treinando regularmente e demonstrar técnica adequada nos Kata da arte.
Importante que, neste momento, não entendo justo qualificar faixas pretas que sejam apenas atletas, os atletas têm os resultados para se motivar a graduação de Dans, no nosso entender deve ser restrita aos trabalhos de divulgação do karatê.
Para faixa preta quarto dan, considera-se que podem promover os professores terceiro dan com mais de Quatro faixas pretas formados, estando estes pelo menos Dois com segundo dan pelo menos e trabalhando pela divulgação do karatê, dando aulas, sob sua supervisão e estímulo direto, além de possuir tese escrita sobre tema associado ao Karatê para análise de banca examinadora, além de possuir Quatro anos de treinamento comprovado como terceiro dan. Se não possuir outros faixas pretas trabalhando como professores, deverá fazer atividade de relevante importância para a divulgação do karatê e crescimento da federação com reconhecimento por escrito da diretoria da mesma, ou então deverá respeitar interstício de 6 anos.
Para faixa preta quinto dan, considera-se que podem promover os faixas pretas quarto dan com mais de 5 escolas sob sua supervisão técnica, com mais de 2 professores terceiro DAN, com tese escrita sobre tema de interesse para os praticantes de Karatê, e mais de 6 anos de treinamento comprovado como quinto dan.
Como se observa, entendo que a graduação de dan se prende a um só critério após o terceiro da: divulgação do karatê que não é subjetivo e tem repercussão social. Por ser um sistema diferente onde só a antiguidade é observada, muita gente de idéias retrógradas são o "supra-sumo" e seguram a divulgação da arte, permitindo o surgimento de segmentos "rebeldes" que se auto-proclamam bons demais e Mestres tantos dan e saem fazendo grandes estragos na imagem da arte.
Não sou a favor de uma "caça às bruxas" ou de "tomar dans" dos outros mas se a sociedade fosse informada de critérios assim, muita gente que trabalha sério poderia ter reconhecimento e a sociedade poderia ver claro quem realmente trabalha sério dentro do karate educativo.
[texto extraído da Internet]

 
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